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18 de Setembro de 2019

Igualdade social. Direito de todos. Uma luta constante.

Renan Walisson de Andrade, Estudante de Direito
há 11 meses

  Há muito tempo se fala em desigualdade social, mas o que isso representa? Sabemos que o nosso País foi, por muito tempo, sinônimo de desigualdade. Podemos conceituar desigualdade social, como sendo os processos relacionais em determinada sociedade que limita ou prejudica o status de um determinado grupo, classe ou círculo social em que este está inserido.

  Um dos fatores mais provenientes da desigualdade social, é justamente a correlação dos indivíduos, tendo em vista que a sociedade impõe regras de convivência: o que vestir, qual veículo possuir e até mesmo, a forma física ideal. Isso é bem explícito nas escolas, crianças que ao menos desenvolveram um senso crítico do mundo ao seu redor, já têm um pensamento preconceituoso com o coleguinha que vem malvestido para aula, ou até mesmo porque tem um material melhor. Até nas Igrejas há esse preconceito desumano.

  Recentemente, o Supremo Tribunal Federal - STF, reconheceu a constitucionalidade da lei que reserva 20% das cotas para negros em provimento das vagas em concurso público, no âmbito Federal. Um assunto muito amplo no que diz respeito à igualdade e a humanização das instituições. Devemos muitos aos negros, desde a colonização, passando pela escravidão, até chegar aos dias de hoje, muitas coisas aconteceram.

   Nas Universidades Públicas, há pesquisas onde indicam que os cotistas estão entre os menores números na taxa de evasão, sendo também os que mais desenvolvem pesquisas que contribuem com o desenvolvimento Acadêmico do País. Se às oportunidades forem postas na mesa dos mais oprimidos, a realidade muda. O empregado passa a ser patrão e o patrão passa a ter respeito pelo seu empregado, sabendo que o mesmo dispõe de conhecimento suficiente para não ser submissos aos seus caprichos.

  É necessário compreender a realidade brasileira. Aos que afirmam que as cotas trazem o preconceito para mais perto, vos pergunto: Por que, dos mais de 54% da população negra existente no País, apenas pouco mais de 27% estão no serviço público? Vivemos em um País de muita desigualdade social, até pouco tempo, nas Academias, eram contados os estudantes de baixa renda que ingressavam no ensino superior, isso se deu, por muito tempo, devido à má distribuição de renda, no âmbito escolar e humano. Na minha cidade natal, Carnaíba-PE, em toda sua história, apenas três jovens conseguiram sair da sua terra e ir estudar Medicina na Capital Recife. Atualmente, mais de seis jovens acadêmicos de Medicina estudam nas mais diversas instituições de ensino superior do Brasil. Jovens estes, de família pobre, do interior. São tantos os exemplos. Os que dela se beneficiam, têm a oportunidade de tolher uma desigualdade material existente há décadas.

  No nosso íntimo e subjetivo, temos que lutar por melhorias, sair do comodismo, não retroceder. Este que vos escreve, é bolsista pelo ProUni, mudará de vida e ajudará a construir uma sociedade mais justa, mais fraterna e mais humana, sobretudo com os que mais precisam. Um grande homem, bispo da Igreja Católico, que lutou contra o Regime Militar e a favor do povo, Dom Paulo Evaristo Arns, disse certa vez: “No Brasil, é necessário lutar pelos direitos de todos e pelo fim da exclusão social.” Isso nos remete a uma breve análise do nosso passado e, consequentemente, a uma expectativa de melhores dias para nossas futuras gerações.

Renan Walisson de Andrade é Acadêmico de Direito na Faculdade de Integração do Sertão - FIS.

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